Às vezes pensar demais cansa, é desnecessário, é doentio. Quem disse que toda reflexão é válida?, que toda intenção tem de ser proposital?, que a consciência precisa estar presente em todos os momentos? É, quem disse isso deve ter deixado passar um bocado de coisas na vida. A distração, o “se deixar levar”, pode nos dar tanto, pode colorir o mundo de um modo tão vivo, tão alegre, intenso, genuíno... macio! De uma hora pra outra somos levados, deixamos de ser sujeito para sofrer a ação. E isso pode ser realmente mágico, não é todo dia que acontece, mas acredite, acontece! Confiar no acaso e ver as surpresas de que ele é capaz não é para qualquer um, é cheio de “sem compromisso”, sem previsão, sem lógica e assustadoramente irracional. Tentamos criar ligações e o desejo de ter, ao menos um pouquinho, de controle, é enorme, mas não... não temos. Talvez não seja uma questão de "confiar" , mas “deixar”, deixar o acaso vir, fazer o que tem de ser feito e ir embora... engraçado!, não é em qualquer momento que estamos prontos para o acaso, mas nada como estar distraído para que ele se faça presente.
http://www.youtube.com/watch?v=5tiR7A-4_J4&videos=XRGByVOBxtw&playnext_from=TL&playnext=1
Distraido (Christiaan Oyens - Zélia Duncan)
"Se você não se distrai, o amor não chega
A sua música não toca
O acaso vira espera e sufoca
A alegria vira ansiedade
E quebra o encanto doce
De te surpreender de verdade
Se você não se distrai, a estrela não cai
O elevador não chega
E as horas não passam
O dia não nasce, a lua não cresce
A paixão vira peste
O abraço, armadilha
Hoje eu vou brincar de ser criança
E nessa dança, quero encontrar você
Distraído, querido
Perdido em muitos sorrisos
Sem nenhuma razão de ser
Olhando o céu, chutando lata
E assoviando Beatles na praça
Hoje eu quero encontrar você
Se você não se distrai,
Não descobre uma nova trilha
Não dá um passeio
Não rí de você mesmo
A vida fica mais dura
O tempo passa doendo
E qualquer trovão mete medo
Se você está sempre temendo
A fúria da tempestade"
Assinar:
Postar comentários (Atom)

"Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
ResponderExcluirComo eles admiravam estarem juntos!"
Clarice Lispector - por não estarem mais distraídos
que lindo. =)
ResponderExcluirLan